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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Obrigação?

Sofro de demasiadas crises de identidade e possuo fortes tendências ao transtorno bipolar, passando em meio a devaneios, loucuras e acessos de raiva permanentes em algumas horas do dia, são sagradas determinadas crises e surtos, penso que nada pode me curar, pois essas sensações de loucura e perda do controle passam por algo que chamo de triagem da mente.
Insanamente me pergunto o por quê de tanta raiva em algumas horas e de tanta tristeza em sua maioria. Pois felicidade é algo que sinto somente quando tenho uma certa pessoa ao meu lado, caso contrário baseio minha felicidade em simplesmente ficar em silêncio, escrevendo e ouvindo músicas que tenham compatibilidade com meu estado de espírito. Não, eu não baseio minha dita felicidade na existência de outra pessoa, assim posso dizer que sim, depende dela tal sentimento, já que a mesma é a única que me faz sentir-se intensamente viva e não mais um pano velho jogado ao chão para ser pisado e usado em momentos de sujeira.
Tenho a constante vontade de gritar, de dar berros extremamente altos e sem término ou direção, sinto uma imensa vontade de cantar sem se preocupar com a afinação ou com o tom de minha voz já que o que realmente me importa é cantar bem alto para assim me sentir viva, sinto uma intensa vontade de ter ao menos uma hora de paz, silênico e solidão sem ouvir nem sequer os grilos cantarem e constantemente tenho problemas com seres humanos.
Seria então errado não gostar de pessoas e somente de pouquíssimas e raras?
Seria tão errado assim enjoar de pessoas e querer simplesmente ter contato com o mínimo possível delas?
Seria errado fugir da dita relação social que somos obrigados a ter desde o dia em que nascemos?
Por que seríamos obrigados a ter amizades, família, namorados e namoradas, patrões, empregos, uma vida social em suma importância?
Por que???
Alguém me responda, pois ainda não vi nenhuma lei que nos obrigasse a ter relações com humanos que não nos agradem, mesmo que eles sejam 99% da humanidade, não soube de nada que me impessa de ter contato com no máximo 4 ou 5 pessoas, e se alguém souber de algo que m obrigue a gostar de algum ser humano que não faça parte da minha minúscula lista de pessoas que valem a pena, favor me ligar, me escrever ou mandar um simples sinal de fumaça.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer. Clarice Lispector
"Estremeço de prazer por entre a novidade de usar palavras que formam intenso matagal.
Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade.
É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo, mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis.
Esta minha capacidade de viver o que é redondo e amplo - cerco-me por plantas carnívoras e animais legendários, tudo banhado pela tosca e esquerda luz de um sexo mítico.
Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia: sou orgânica.
E não me indago sobre os meus motivos.
Mergulho na quase dor de uma intensa alegria – e para me enfeitar nascem entre os meus cabelos folhas e ramagens"...
Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser... Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!! Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso? Que desafio, hein? "... Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la..." (Perto do Coração Selvagem - p.55) Clarice Lispector

A lucidez perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum:é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeitodo qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:pois estou infinitamente maior que eu mesma,e não me alcanço.
Além do que:que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidezpode-se tornar o inferno humano- já me aconteceu antes.
Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim.
E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra "tertúlia" e não sei aonde e quando.
À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe.
Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real.
E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada.
Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome. É para o meu pobre nome que vou. E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama.
Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo.
E feneço lentamente. Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar. P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilacerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

Sonhe com aquilo que você quiser.

Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chancede fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustoso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo salvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e ai. Aviso tambem que nao se deve temer seu relinchar: A gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez."
"E é inútil procurar encurtar caminho e querer começar já sabendo que a voz diz pouco, já começando por ser despessoal. Pois existe a trajetória, e a trajetória não é apenas um modo de ir. A trajetória somos nós mesmos. Em matéria de viver, nunca se pode chegar antes. A via-crucis não é um descaminho, é a passagem única, não se chega senão através dela e com ela. A insistência é o nosso esforço, a desistência é o prêmio. A este só se chega quando se experimentou o poder de construir, e, apesar do gosto de poder, prefere-se a desistência. A desistência tem que ser uma escolha. Desistir é a escolha mais sagrada de uma vida. Desistir é o verdadeiro instante humano. E só esta, é a glória própria de minha condição. A desistência é uma revelação."
...sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul, faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante, faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava de morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus,..., faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão, faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta, faz de conta que se descontraía o peito e a luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranqüilas mortalidades, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando por dentro... [ Clarice Lispector ]

Oh, Clarice!

Que sou uma dita "fã de carteirinha" de Clarice Lispector, creio não ser novidade a ninguém, então postarei as 100 frases e trechos dela que me fazem sentir algo do tipo: "Isso tem tudo a ver comigo!".
[ Nem Freud, nada de Jung. Clarice Lispector me entenderia. ]
1. "Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
2. "Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho."

3. "Enquanto eu tiver pergntas e não houver respostas... continuarei a escrever."

4. "Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."

5. "Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam." (A Hora da Estrela)

6. "Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária."(A paixão segundo G.H)

7. "E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano."
8. "Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós."
9. "Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar."
  1. 10. "... passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser."
11. "É difícil perder-se. É tão difícl que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." 12. "O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." 13. "Porque há o direito ao grito.então eu grito."
14. "Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
15. "É uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde."
16. "Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."
17. "O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?"
18. "Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
19. "Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro."
20. "A palavra é meu domínio sobre o mundo."
21. "Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada."
22. "Ter nascido me estragou a saúde."
23. "E umas das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi criadora de minha própria vida." (Uma aprendizagem ou livro dos prazeres)
24. "É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."
25. "Sinto a falta delecomo se me faltasse um dente na frente:excrucitante"
26. "...faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;ela saíra agora da voracidade de viver."
27. "Não se conta tudo porque o tudo é um oco nada."
28. "E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço."
29. "Fique de vez em quando só, senão será submergido. Até o amor excessivo pode submergir uma pessoa."
30. "O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão."
31. "Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre."

32. "Eu queria escrever luxuoso. Usar palavras que rebrilhaassem molhadas e fossem peregrinas. Às vezes solenes em púrpura, às vezes abismais esmeraldas, às vezes leves na mais fina seda macia."

33. "Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão."
34. "Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra."
35. "É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade."
36. "Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."
37. "Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse pleno de tudo..."
38. "Me deram um nome e me alienaram de mim."
39. "Com todo perdão da palavra, eu sou um misterio para mim."
40. "É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas."
41. "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante."
42. "Eu sou mais forte do que eu." 43. "Divertir os outros, um dos modos mais emocionantes de existir."
44. "Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece."
45. "Deve-se viver apesar de."
46. "Divido-me milhares de vezes em quantas vezes quanto os instantes que decorrem, fragmentaria que sou e precários os momentos -só me comprometo com a vida que nasça com o tempo e com ele cresça: só no no tempo há espaço para mim."
47. "Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus."
48. "À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios."
49. "Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação."
50. "Só o que está morto não muda!Repito por pura alegria de viver:A salvação é pelo risco,Sem o qual a vida não vale a pena!!!"
51. "A poesia dos poetas que sofreram é doce e terna. E a dos outros, dos que de nada foram privados, é ardente, sofredora e rebelde."
52. "Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio."
53. "...entre as aleluias e as agonias de ser..."
54. "Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente"
55. "...juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar. "
56. "Vivo no quase, no nunca e no sempre. Quase, quase - e por um triz escapo." ( A Cidade Sitiada)
57. "Não sei se quero descansar,por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir."
58. "Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem."
59. "...Respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver."
60. "Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma."
61. "Inútil querer me classificar,eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me pega mais."
62. " Só se sente nos ouvidos o próprio coração........Pois nós não fomos feitossenão para o pequeno silêncio."
63."Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."
64. "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata. "
65. "Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la."
66. "Amor será dar de presente ao outro a própria solidão? Pois é a última coisa que se pode dar de si."
67. "As pessoas mais felizes nãotêm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecemem seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscame tentam sempre."
68. "O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo."
69. "Se uma pessoa perguntar durante meia hora "eu", essa pessoa se esquece quem é. Outras podem enlouquecer. É mais seguro não fazer jamais perguntas - porque nunca se atinge o âmago de uma resposta. E porque a resposta traz em si outra pergunta."
70. "A gente escreve como quem ama."
71. "Que medo alegre de te esperar."
72. "Ninguém dentro de si mesma poderia ter os pensamentos mais desligados da realidade, se quisesse. Se eu me visse na terra lá das estrelas ficaria só de mim."
73. "A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique." (A Hora da Estrela)
74. "Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações."
75. "É curioso não saber dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo"
76. "... E descobri que não tenho um dia-a-dia.É uma vida-a-vida. E que a vida ésobrenatural."
77. "Por que é que o cão é tão livre?Porque ele é o mistério vivo que não se indaga."
78. "O que obviamente não presta sempre me interessou muito. "

79. "...há impossibilidade de ser além do que se é -no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio,sou mais do que eu, quase normalmente -tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuaçãode meu começo......a única verdade é que vivo.Sinceramente, eu vivo.Quem sou? Bem, isso já é demais..."

80. "O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver,quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio... esse alguém percebeu o seu mistério de coisa."

81. "... Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la..."
82. "Toda vida é uma missão secreta..."
83. "(...) faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível (...)" 84. "Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vidae nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldadespara fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. Eesperança suficiente para fazê-la feliz." 85. "Não se pode andar nú nem de corpo nem de espírito." 86. "Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou- apesar de tudo oh apesar de tudo- estou sendo alegre neste instante-já que passa se eu não fixá-lo com palavras." 87. "Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso." 88. "Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias." 89. "Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir." 90. "(...) faze com que eu perca o pudor de desejar quena hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha (...)" 91. "Você só terá sucesso na vidaquando perdoar os errose as decepções do passado."92. "Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada." 92. "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca." 93. "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." 94. "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." 95. "Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida." 96. "Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos."
97. "Sou um coração batendo no mundo"

98. "Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

99. "Sou como você me vê.Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,Depende de quando e como você me vê passar."

100. "E se me achar esquisita,respeite também.até eu fui obrigada a me respeitar."

quinta-feira, 24 de abril de 2008

HISTÓRIA INTERROMPIDA

"Ele era triste e alto. Jamais falava comigo que não desse a entender que seu maior defeito consistia na sua tendência para a destruição. E por isso, dizia, alisando os cabelos negros como quem alisa o pêlo macio e quente de um gatinho, por isso é que sua vida se resumia num monte de cacos: uns brilhantes, outros baços, uns alegres, outros como um "pedaço de hora perdida", sem significação, uns vermelhos e completos, outros brancos, mas já espedaçados. Eu, na verdade, não sabia o que retrucar e lamentava não ter um gesto de reserva, como o seu de alisar o cabelo, para sair da confusão. No entanto, para quem leu um pouco e pensou bastante nas noites de insônia, é relativamente fácil dizer qualquer coisa que pareça profunda. Eu lhe respondia que mesmo destruindo ele construía: pelos menos esse monte de cacos para onde olhar e de que falar. Perfeitamente absurdo. Ele, sem dúvida, também o achava, porque não respondia. Ficava muito triste, a olhar para o chão e a alisar seu gatinho morno."
[ Clarice Lispector ]

quinta-feira, 6 de março de 2008

..."O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer.
A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável.
Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte.
Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo.
E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida.
Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido.
Pois o prazer não é de se brincar com ele.
Ele é nós."
(Clarice Lispector)
bom, não tenho nada a declarar. não estou mto feliz, obrigada!
-
"Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entedimento" "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
[ Clarice Lispector ]
♪ d^^b maiden - dream of mirror ♫ .